Homilia da Festa de São Francisco de Assis, 2010

Uma vida dedicada a Deus

Tenho percebido que há muita ignorância entre nós (no sentido de falta de conhecimento), a respeito dos nossos irmãos antepassados que dedicaram suas vidas  exclusivamente ao serviço de amor, em amor a Ele acima de tudo e ao próximo, como a si mesmo. Isso é muito sério, pois pode nos levar a falar mal de quem desconhecemos, a falar besteiras, a sermos injustos com as pessoas, muitas das quais deram suas vidas por amor a Cristo. Por isso, sempre que for oportuno, refletiremos sobre essas pessoas, para que tenhamos nelas inspiração para a nossa caminhada.

Hoje estamos usando as leituras do Lecionário Comum dos Santos, que está na pág. 433, do nosso Livro de Oração, pois amanhã, dia 04 de outubro, festejamos a memória de nosso irmão Francisco de Assis, um homem que dedicou-se radicalmente ao amor a Deus, através do serviço às pessoas, à natureza e aos animais. Todas as leituras nos remetem a essa reflexão: precisamos dedicar nossa vida a Deus, de acordo com o seu chamado particular para cada um(a) de nós. São textos muito bonitos, os quais nos fazem refletir sobre nosso posicionamento diário perante Deus.

Vamos, então, conhecer um pouco sobre a história de nosso irmão Francisco de Assis e rogar a Deus que a vida dele nos inspire ao amor e ao cuidado das pessoas e de toda a criação, como prova concreta de amor a Deus, acima de tudo.

Filho de comerciantes, Francisco Bernardone nasceu em Assis, na Umbria, em 1182. Nasceu em berço de ouro, pois a família tinha posses suficientes para que levasse uma vida sem preocupações. Não seguiu a profissão do pai, embora este o desejasse. Alegre, jovial, simpático, era mais chegado às festas, ostentando um ar de príncipe que encantava.
Mas mesmo dado às frivolidades dos eventos sociais, manteve em toda a juventude profunda solidariedade com os pobres. Proclamava jamais negar uma esmola, chegando a dar o próprio manto a um pedinte por não ter dinheiro no momento. Jamais se desviou da educação cristã que recebeu da mãe, mantendo-se casto.

Francisco logo percebeu não ser aquela a vida que almejava. Chegou a lutar numa guerra, mas o coração o chamava à religião. Um dia, despojou-se de todos os bens, até das roupas que usava no momento, entregando-as ao pai revoltado. Passou a dedicar-se aos doentes e aos pobres. Tinha vinte e cinco anos e seu gesto marcou o cristianismo. Foi considerado pelo papa Pio XI o maior imitador de Cristo em sua época.
A partir daí viveu na mais completa miséria, arregimentando cada vez mais seguidores. Fundou a Primeira Ordem, os conhecidos frades franciscanos, em 1209, fixando residência com seus jovens companheiros numa casa pobre e abandonada. Pregava a humildade total e absoluta e o amor aos pássaros e à natureza. Escreveu poemas lindíssimos homenageando-a, ao mesmo tempo que acolhia, sem piscar, todos os doentes e aflitos que o procuravam. Certa vez, ele rezava no monte Alverne com tanta fé que em seu corpo manifestaram-se as chagas de Cristo.
Achando-se indigno, escondeu sempre as marcas sagradas, que só foram descobertas após a sua morte. Hoje, seu exemplo muito frutificou. Fundador de diversas ordens, seus seguidores ainda são respeitados e imitados.
Franciscanos, capuchinhos, conventuais, terceiros e outros são sempre recebidos com carinho e afeto pelo povo de qualquer parte do mundo.
Morreu em 4 de outubro de 1226, com quarenta e quatro anos. Dois anos depois, o papa Gregório IX o canonizou. São Francisco de Assis viveu na pobreza, mas sua obra é de uma riqueza jamais igualada para toda a Igreja Católica e para a humanidade. O Pobrezinho de Assis, por sua vida tão exemplar na imitação de Cristo, foi declarado o santo padroeiro oficial da Itália. Numa terra tão profundamente católica como a Itália, não poderia ter sido outro o escolhido senão são Francisco de Assis, que é, sem dúvida, um dos santos mais amados por devotos do mundo inteiro.
Assim, nada mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia. Por isso que no dia de sua festa é comemorado o “Dia Universal da Anistia”, o “Dia Mundial da Natureza” e o “Dia Mundial dos Animais”. Mas poderia ser, mesmo, o Dia da Caridade e de tantos outros atributos. A data de sua morte foi, ao mesmo tempo, a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os seres humanos de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/outubro/dia-de-sao-francisco-de-assis.php

Termino citando as palavra de São Paulo, aos Filipenses 3.10: “Tudo o que eu quero é conhecer a Cristo e sentir em mim o poder da sua ressurreição. Quero também tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, com a esperança de que eu mesmo seja ressuscitado da morte para a vida.”

Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo

Rede Anglicana do Bem-Estar Animal

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