Có-có-có-cóóóóó: um canto de lamento…

Domingo passado (16/10), a Anita ficou aflita após ir ao nosso galinheiro e perceber que a Juju (Juliana de Norwich) não estava andando.

 Tentei acalmá-la, dizendo que após a Celebração eu iria dar uma olhada nela e que aquilo deveria ter sido conseqüência de algum tombo que eventualmente ela pudesse ter sofrido. Mas meu coração apertou.

 Após a Celebração, fui até lá e coloquei água benta para ela que, aparentemente, estava “bem”, mas não andava.

 Na segunda feira o Rodrigo (ele tem experiência em roça), veio até a Paróquia para nos ajudar na construção do galinheiro e viu a causa do problema: ela estava com uma das patas muito inchada por baixo. Segundo ele, pode ter sido em decorrência do sobrepeso dela, pisando nas pedrinhas do galinheiro e também pelo fato de que esses animaizinhos são criados com fortes doses de hormônios, o que pode enfraquecer seus ossos. As chances eram poucas…

Durante toda a semana passei rifamicina nos locais afetados e alimentei-a, colocando milho e cascas de verduras, no local onde a colocamos (um bercinho, feito com uma caixa de plástico, com capim para amaciar), que foi coberto com uma telha. Encontrar um veterinário(a) que cuide de aves, por aqui, não é tarefa fácil. Ela não se levantou mais…

 Minha esperança, todos os dias, era chegar lá na Paróquia e vê-la de pé, ciscando com o Chico (Chico é a ex-Clara de Assis! Ela(e) é macho!), mas ontem percebi que Juju estava triste e não queria comer. Forcei, ela comeu alguns grãozinhos e um pouquinho de casca. Sai de lá triste…

 Hoje à tarde (22/10), cheguei lá e olhei de longe. Não vi sua cabecinha se movimentando. Fui até a sacristia e peguei a rifamicina, depois fui à cozinha paroquial e ouvi o Chico cantando, mas era um canto triste. Meu coração apertou… Um “Co-có-có-cóóóóó…” rouco e sofrido. Peguei as coisas (cascas, milho e rifamicina) e fui até lá… Juju estava fria, dura, com os olhinhos fechados. Sim, ela se foi e seu namorado estava muito triste e inquieto.

 Fiz uma cova dentro do galinheiro, enrolei Juju em um jornal e a enterrei lá mesmo, para que aquele local seja sua morada “para sempre”, ao lado do Chico, que está enorme e, aparentemente, bem de saúde.

Fizemos o que pudemos. Salvamos os dois do abandono, mas nada podemos fazer contra a criação cruel à qual os animais “de consumo” são submetidos. Nos poucos dias que Juju morou com a gente, ela teve um lar, comida farta, atenção, carinho. Agora ela está com o Criador, num lugar onde o “cerumano” não entra. Chico está triste, muito triste. Nós também. A Rede Anglicana do Bem-Estar Animal está de luto pela nossa Juju.

 

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